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Entrevista com Joaquim Saraiva
Jan/09 - Abrasel
Abrasel – O senhor foi eleito para a presidência do Conselho Nacional da Abrasel (biênio 2009/2010) quais são os principais projetos e prioridades para sua gestão frente à entidade? Joaquim Saraiva – Nosso foco agora está na produtividade da entidade e das nossas equipes de trabalho. Com isso, vamos fazer a atualização do planejamento estratégico da Abrasel e buscar o fortalecimento e desenvolvimento das seccionais dando continuidade ao trabalho e treinamento já iniciados, utilizando com mais eficácia as ferramentas de que já dispomos. Outra meta da nossa gestão será investir na interiorização da entidade. A Abrasel hoje já está presente com suas representações em todos os estados, vamos procurar agora expandir nossa capilaridade para o interior. Abrasel – Que balanço o senhor faz da economia brasileira em 2008? Joaquim Saraiva – Considero de forma geral que a economia brasileira em 2008 foi boa. O ano que começou bem, com a economia crescendo fortemente, com melhoria de renda e emprego, duas coisas importantes para o bem estar do mercado. Mas infelizmente, terminou com muita incerteza devido com a mais séria crise econômica das últimas décadas em países desenvolvidos. Abrasel – Mais especificamente para o setor de alimentação fora do lar, como foi o comportamento neste último ano? Joaquim Saraiva – Para o setor, foi um ano conturbado. Em 2008, fomos surpreendidos por vários agravantes como lei seca e em seguida a crise mundial que desacelerou a nossa economia, provocando queda no faturamento dos estabelecimentos em até 30%. Nossa expectativa otimista era de fechar o ano com crescimento em torno de 8%, mas vamos ter que nos contentar com 5%. Apesar disso,não considero um ano ruim, mas apenas razoável. Abrasel – Com relação ao desempenho e crescimento da Abrasel, o que se pode destacar? Joaquim Saraiva – A Abrasel teve um ano dos mais gloriosos da sua existência, especialmente pelo enfrentamento às adversidades impostas ao setor de alimentação fora do lar. Se a entidade não tivesse atuado, interferido e se posicionado em situações como, por exemplo, no episódio da Lei Seca, nosso setor teria sofrido impactos ainda maiores no seu crescimento. Além disso, todos nossos projetos dentro do Movimento Brasil Sabor, de promoção e valorização da gastronomia brasileira como um diferencial competitivo para o turismo no País, apresentaram resultados muito positivos. Realizamos com sucesso a 3ª edição do Brasil Sabor, consolidando-o como o maior festival gastronômico do planeta. Levamos para Chicago, Londres, Paris e Santiago o Brazilian Cuisine Stars, projeto da Abrasel, em parceria com a Embratur e o Ministério do Turismo, divulgando a gastronomia e os atrativos turístico do Brasil, nesses países. Implantamos o “Programa Caminhos do Sabor – a união faz o destino” em 22 destinos turísticos indutores do desenvolvimento turístico regional. Realizamos a 2ª edição do festival Bar em Bar. Enfim, foram muitas realizações. E comemoramos ainda a expansão da Abrasel, com criação da seccional Rondônia, atingindo o nosso objetivo de estar presente nos 27 estados do País e alcançando destaque em 200 municípios. Abrasel – O senhor falou em adversidades enfrentadas pelo setor em 2008, quais foram as principais e como a Abrasel atuou nesse sentido? Joaquim Saraiva – Fomos novamente surpreendidos com a edição de leis absurdas e mal elaboradas, como a Lei Seca, o projeto de lei que regulamenta a taxa de serviços e normas que restringem o fumo ou determinam horários de funcionamento para bares e restaurantes. Sem dúvida, a que mais causou espanto foi a Lei 11.705, ou Lei Seca. Esta medida gerou enormes problemas, mas também provocou grande união em defesa dos interesses do setor. Para o enfrentamento dessas questões a Abrasel criou o Movimento Nacional em Defesa dos Bares e Restaurantes, mobilização que envolveu empresários e profissionais do setor para um grito de alerta. Com o protesto Responsabilidade Sim, Enganar o Povo Não, lutamos contra medidas abusivas impostas a bares, restaurantes e lanchonetes, que trouxeram prejuízo aos negócios, geraram desemprego, além de desrespeitar os direitos e a liberdade de escolha do cidadão brasileiro. A Abrasel foi a única entidade que deu sua “cara a tapa”, defendendo o direito do cidadão e contestando a constitucionalidade da lei com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que se encontra em processo de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Estamos confiantes que o STF vai nos dar uma resposta positiva, visto que, além de ser inconstitucional, a Lei Seca mostrou-se incapaz de promover uma solução definitiva e eficaz para a redução dos acidentes, com havíamos previsto desde o início. Abrasel – Quais as perspectivas e desafios para o setor no Brasil em 2009? Joaquim Saraiva – O ano de 2009 será de muitas incertezas e preocupações. Sem dúvida a crise afeta o nosso setor em diversas dimensões. A primeira delas é que o ambiente de incerteza reduz investimentos. Quem tinha investimento programado está adiando. Além disso, com a crise, tivemos também o impacto sobre a cadeia no custo. Os produtos de origem importada sofreram aumentos e houve uma pressão de custo muito grande com a desvalorização do real no final do ano. E isso tumultua, fica difícil precificar porque o dólar está oscilando muito. O setor já enfrenta uma aparente queda de faturamento. Estamos preocupados e angustiado em perceber que se a crise continuar, todos serão afetados a partir de março e abril. Abrasel – Com relação à política utilizada pelo governo de manutenção dos juros em patamares altos e a restrição do crédito para inibir o consumo e, assim, evitar a inflação. Qual a análise que o senhor faz dessas medidas? Joaquim Saraiva – A política do Banco Central tem sido muito consistente, séria e corrobora para um ambiente mais estável. Continuamos confiantes que o governo pratique políticas de desenvolvimento e não de restrições. Temos percebido muita vontade e disposição do nosso governo em continuar crescendo. Esperamos o 1º trimestre cautelosos, mas acreditamos na possibilidade de fechar 2009 com saldo positivo. Abrasel – A elevação dos preços dos alimentos continua preocupante? O que esperar dela, principalmente no âmbito do pequeno varejo? Joaquim Saraiva – Os preços já tiveram a sua acomodação de aumentos. Tivemos alguns exageros por falta de compreensão em mudanças tributárias, como por exemplo, recolhimentos na fonte e substituição tributária, o que gerou repasses integrais e após algumas correções com os reflexos de perda em vendas. A grande incógnita fica por conta do aumento do preço dos produtos importados, que têm um impacto grande em toda a cadeia, que pega, desde as bebidas, destiladas ou não, cervejas, até os produtos como azeites. Ou seja, o nosso cardápio nosso foi impactado de várias formas. Então há uma preocupação sim, no que será repassado no preço dos produtos que têm insumos importados. Agora os produtos puramente nacionais sem grande influência externa deixaram de incomodar. Os fabricantes de bebidas já anunciaram para breve um aumento de 15% e não acredito a curto prazo em aumento de preços. Sou favorável também a uma reforma tributária. Abrasel – Quais são suas perspectivas quanto à continuidade das reformas que o Brasil tanto precisa, principalmente nas esferas tributária e trabalhista? Joaquim Saraiva – Perspectivas eu não tenho, apenas torço para que as reformas de ontem não fiquem para amanhã. Abrasel – Como a Abrasel tem atuado para conseguir um maior envolvimento de seus associados no trabalho que realiza?* Joaquim Saraiva – Levando até eles informações, mostrando o quanto lutamos para melhorar o ambiente de negócios do nosso setor e especialmente conscientizando-os da importância do envolvimento e engajamento de todos nas lutas associativistas. Somente unidos somos fortes e capazes de exercer pressão sobre nossos governantes e legisladores. Abrasel – A Abrasel já passou por dois planejamentos estratégicos o que profissionalizou de forma bastante clara a gestão da entidade. Vem por aí um novo planejamento estratégico. Qual será o foco nesta nova fase? Joaquim Saraiva – Será no aprimoramento do nosso modelo de governança, nas ações de comunicação e benefícios ao setor e associados. Além disso, vamos buscar a expansão dos nossos relacionamentos com empresas parceiras. Abrasel – O processo de sucessão na Abrasel e em suas seccionais tem se dado de forma dinâmica e transparente. Isto tem garantido o crescimento e a perpetuação do modelo de organização que torna a Abrasel um grande sucesso? As novas lideranças que assumem as presidências das seccionais estão correspondendo às expectativas do Conselho Nacional? Joaquim Saraiva – As sucessões presidenciais nas seccionais têm sido surpreendentes. Surgiram grandes lideranças e as expectativas é que não parem, porque os presidentes atuais estão preparados para fazer a sua sucessão com líderes que já trabalham pela Abrasel e fazem parte das diretorias atuais. Abrasel – As seccionais estão preparadas para os novos desafios que a instituição tem apresentado? E o que a Nacional tem feito para apoiá-las nesse sentido? Joaquim Saraiva – Sim. Não temos encontrado dificuldades porque as seccionais trabalham em sinergia com a Nacional ativamente e estão sempre bem informadas nacionalmente. Abrasel – Qual a sua mensagem aos associados e a todos os empresários do segmento para o início da sua gestão como presidente do CN? Joaquim Saraiva – Nunca desanimar e ter persistência sempre. “O êxito ou o fracasso de sua vida não depende de quanta força você põe em uma tentativa, mas da persistência no que fizer”.
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