Alimentação fora do lar muda formato

Fev/09 -DCI - Diário do Comércio e Indústria

As empresas de refeição fora de casa (food service) crescerão até três vezes o Produto Interno Bruto (PIB), mas bem menos do que os 14% de crescimento em 2008. Especialistas do setor acreditam que o tíquete médio deve cair e que redes de refeições rápidas (fast-food) crescerão por apresentarem menor tíquete médio.

Ao perceber o cenário, Alberto Saraiva, presidente da rede Habib’s, lançará novo formato de negócio, mais enxuto e com espaço físico menor, além de manter planos de inaugurar de 25 a 30 lojas neste ano e de faturar até 15% a mais nas 350 lojas da rede.

“Em 40 dias lançaremos lojas de pequeno porte para cidades menores, de 100 mil habitantes, pois não atuamos neste mercado. Ela custará metade do preço e comportará até 50 lugares. Se vingar, vamos montar de 30 a 40 lojas por ano”, afirmou. Outra estratégia anunciada por Saraiva é inaugurar mais lojas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e Belo Horizonte. “São capitais em que estamos bem e vamos melhorar a posição. Somente São Paulo representa 55% das vendas no País. Ao todo são 110 e pode chegar a 200”.

Quanto à publicidade, Saraiva revela que destinará R$ 25 milhões, mais que o dobro de 2008. “É nosso maior investimento. Haverá a manutenção do contrato com o São Paulo Futebol Clube, na manga da camisa (com o novo contrato, serão 9 anos de parceria), e o patrocínio de equipes como Vasco da Gama. São R$ 4 milhões em comerciais nos intervalos dos jogos veiculados pela rede Globo , ao todo são 96 este ano, além da publicidade gratuita”.

Outro investimento é o lançamento da esfirra de espinafre associada ao desenho animado Popeye, a introdução de bolinhos de bacalhau (prato tipicamente português), contratos com a Looney Tunes e seus personagens e distribuição de livros e bichos de pelúcia. “Hoje são 150 milhões de clientes por ano e 600 milhões de esfirras vendidas. Para reforçar nossa marca, iniciaremos hoje a campanha de R$ 0,49, por até cinco meses”.

Outra empresa que se reposiciona para abocanhar o mercado é a Pizza Hut São Paulo. Segundo Reynaldo Zani, gerente-geral da franquia, algumas alterações já começaram, como redução de preços e campanhas publicitárias associadas a fornecedores. “Temos uma verba publicitária de 5% do faturamento líquido – R$ 50 milhões no ano passado, nos 14 restaurantes. A publicidade será associada com redes de pagamento e outros parceiros. A meta é crescer em torno de 15%”, afirmou Zani.

Para alcançar este crescimento, o executivo explica que a rede adotou a estratégia de diversificar produtos. “Inserimos no almoço pratos como massa, assado e salada. Em São Paulo, 90% das mesas adotam esta opção, pois muita gente não come pizza no almoço. Tivemos 23% de aumento de faturamento”.

Outra alternativa foi inserir promoções entre 15 e 18 horas. “Geralmente funcionários de outras lojas almoçam nestes horários. O resultado foi aumento de 60% nas vendas”, comemora.

Para Ricardo Bertucci, gerente nacional da Casa do Pão de Queijo o ano gera muita expectativa, pois a rede planeja um crescimento de 35 unidades. No ano passado foram abertas 20 unidades. A intenção é ter 485 restaurantes. “Com o desemprego, aumentou 20% o número de candidatos a se tornarem franqueados. Todas as aberturas em supermercados e shoppings estão mantidas”.

Para se adaptar aos novos tempos, a rede faz atualização da logomarca e melhora a iluminação das lojas. “Queremos lojas mais aprazíveis e confortáveis”. Bertucci revela que o foco da expansão ainda serão as capitais, principalmente São Paulo. “Neste momento não há intenção de ir ao interior, pois temos de desenvolver novos modelos para isto”. Quanto à publicidade, a rede a faz dentro dos pontos-de-venda. “Temos um faturamento médio de R$ 230 milhões. Parte disto é usado para este fim, mas uma mídia em São Paulo pode atingir uma cidade como Manaus. Por isso o material é igual a todos”.

Tendências
Para Enzo Donna, diretor da consultoria ECD Food Service, o crescimento do setor é sempre 3 vezes o PIB nacional.
“A refeição de lazer deve, com base em especulação do mercado, cair em torno de 20%. Algumas redes já sentem que o tíquete na faixa entre R$ 35 e R$ 60 já sofre redução. Aquela refeição de lazer familiar migrará para redes de refeições rápidas ( fast-food), cujo tíquete é menor”.

Para ele, essas redes vão atacar com grandes campanhas de marketing para abocanhar os clientes que sairão dos restaurantes. Outra vertente que deve acontecer este ano é a entrada de várias bandeiras de uma vez, em cidades pequenas, com um centro de armazenagem e distribuição. “Já acontece nos Estados Unidos comMcDonald’s e a Donatos pizza . É o fenômeno da multioferta. Vai acontecer aqui também”. Procuradas, as redes de fast-food McDonald’s e Burger King não se manifestaram

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