Bons motivos para celebrar a temporada

Mar/09 -Matinhos - Elida Oliveira - Gazeta do Povo - PR

O movimento recorde em dezembro – com 1,6 milhão na passagem de ano – foi um dos fatores que contribuíram para uma boa estação

Há pouco mais de dois meses, a expectativa para a temporada que se iniciava era unânime entre comerciantes, veranistas e autoridades do Litoral: o verão 2008/2009 seria o melhor dos últimos anos. Passadas as festas de fim de ano, o movimento de janeiro e o agito do carnaval, algumas das previsões se confirmaram e a sensação entre quem presenciou a estação ensolarada nas praias do Paraná é de que ela pode, sim, ser comemorada.

Houve alguns pontos que contribuíram para esta percepção, entre os principais a alta concentração de turistas no ano-novo e a invasão dos ‘hermanos’, que trocaram Santa Catarina pelo Paraná.

Bronze garantido – Nas areias, quem estava à procura da cor do verão não reclamou. A temporada teve muito sol, temperatura média de 24 graus e 35% menos chuva do que no ano anterior. O dia mais quente foi 31 de janeiro, quando os termômetros marcaram 36,5°C em Guaratuba, de acordo com o Simepar

Para se banhar – Dentre os 43 pontos analisados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pode-se dizer que ao longo da temporada 90% deles apresentaram condições impróprias para banho. De acordo com o IAP, os resultados foram influenciados pelas chuvas e ligações irregulares de esgoto. Pelo levantamento da Sanepar, em Guaratuba apenas 53% dos imóveis estão ligados regularmente ao esgoto; em Matinhos, 47%; e em Pontal do Paraná, 18%. O banho, no entanto, foi garantido, já que em muitos outros quilômetros da costa o mar estava em condições próprias para os veranistas se refrescarem

Dólares e portunhol – A alta do dólar e as chuvas em Santa Catarina atraíram nossos vizinhos de fronteira para as areias paranaenses. Em janeiro, era comum ouvir o sotaque espanhol na orla. Para o diretor executivo da Abrasel-PR, Luciano Bartolomeu, as chuvas também atraíram turistas paranaenses que costumavam escapar para o estado vizinho. “Aumentou o número de paranaenses que mudaram de destino e o segundo maior público foi o de paulistas”, disse. Na foto acima, o argentino David Nizrahi e sua família em Matinhos

De malas prontas – Para garantir a tranquilidade dos veranistas, cerca de 2,6 mil militares e 300 civis trabalharam ao longo da temporada, 25% a mais do que na anterior. O soldado Daniel Camargo Pacheco, de 34 anos, esteve no Litoral de 18 de dezembro a 25 de fevereiro. “Nos dois primeiros meses o tempo passou rápido, depois comecei a sentir falta da família”, disse ele, que deixou em Ponta Grossa dois filhos: um adolescente de 15 anos e uma menina de 11. Mesmo com a saudade, não desanima. “Foi minha primeira temporada, mas na seguinte serei voluntário novamente”, prometeu

Muito apito – Embora os números registrem mais salvamentos e advertências, o tenente relações-públicas do Corpo de Bombeiros, Leonardo Mendes Santos, destaca a ação preventiva da corporação. O resultado: 9 mortes a menos que no ano anterior. Nesta temporada, foram registrados 1.344 salvamentos, 126.646 advertências e 8 mortes por afogamento . O Corpo de Bombeiros começa a reduzir a partir de amanhã o efetivo de 500 guardas-vidas convocados para o verão. Até 8 de março ficarão 250, depois 50, até o dia 22 de março.

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), do Paraná, confirma a satisfação dos comerciantes: 52% dos entrevistados consideraram a temporada atual melhor que a anterior, tanto na questão financeira quanto no fluxo de pessoas. O número pode ser justificado pela alta concentração de turistas logo no início da estação. Segundo um levantamento prévio feito pela Polícia Militar, quase 1 milhão de pessoas estiveram no Litoral em dezembro de 2008. A média dos três meses de temporada ficou em 467,3 mil, número calculado com base no fluxo de entrada nas estradas do Litoral. “Isso pode ter sido consequência da crise econômica, que trouxe para as nossas praias quem planejava viajar para outros destinos”, diz Luiz Carlos Borges da Silva, presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Matinhos (Acima), Adalto Mendes Luders, confirma o bom começo ao afirmar que o ponto alto da temporada foi entre 26 de dezembro e 5 de janeiro. “Tivemos 40% mais público do que o esperado”. Para chegar a esta estimativa, sem rigor científico, a Acima baseia-se na observação do comércio, na procura por imóveis e em conversas com donos dos estabelecimentos.

Verão econômico, mas lucrativo

Se por um lado o número de turistas chegou a surpreender em alguns feriados – cerca de 1,6 milhão acompanharam a virada de ano no Litoral –, por outro, quem esperava vacas mais gordas nesta estação não pôde soltar foguetes. Para 44% dos proprietários de bares e restaurantes de pequeno, médio e grande portes que responderam à pesquisa da Abrasel-PR, o poder aquisitivo dos veranistas estava menor neste ano.

Mesmo assim, a Associação de Hotéis, Restaurantes, Bares, Casas Noturnas e Similares do Litoral Paranaense (Assindilitoral) estima aumento nos lucros. “Calculamos ter movimentado R$ 1,1 bilhão nesta temporada, 18,8% a mais que na de 2007/2008”, diz José Carlos Chicarelli, presidente da associação, com base em consulta por amostragem aos donos de estabelecimentos nos sete municípios litorâneos do estado.

Os municípios mais procurados para aluguel de imóveis nesta temporada foram Matinhos, mais especificamente o balneário de Caiobá, e Guaratuba. A afirmação é do presidente do Secovi-PR, Luiz Carlos Borges da Silva. “São os municípios com mais infraestrutura”, diz. Para ele, houve em geral um aumento de 12% na procura por imóveis para alugar. Para o delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) do Litoral, Michell Wolff, as locações superaram todas as expectativas. “No fim do ano houve um acréscimo de 20% na procura por imóveis no Litoral”, disse.

Já no carnaval, o índice reduziu. O público deste feriado, aliás, não chegou ao esperado: a previsão era de que 1,2 milhão acompanhassem a folia nas praias paranaenses – número de foliões do ano passado –, mas “apenas” 800 mil desceram a Serra do Mar. “Ficamos com 50% de imóveis fechados, diferente do ano anterior, em que locamos 80%”, fala Wolff. A esticada para o fim de fevereiro é apontada por ele como um dos fatores negativos.

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